terça-feira, 22 de junho de 2010

Indecisão

Na dúvida ingrata,
Choro secas pétalas de margarida
Dos bem-quereres e dos mal-quereres.

E sem resposta fico.
Tempestade íntima de mar.
Das possiblidades ou das impossibilidades.

Pesadas infinitamente na balança das contradições.

Sempre férteis, dúvidas, pétalas.

domingo, 6 de junho de 2010

O quereres

Para as contradições dos quereres...

Diz-me que sou toda mistérios?
Dentro dos limites, o rádio do meu carro me entende... (rs).



Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão



(...)

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

(...)




O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

Caetano