Estava na sala de aula. Não olhava para fora. Olhava para si. Olhar carente, terno, louco.
É um rapaz bonito, pele morena, sorriso tímido nos lábios. Tudo disfarce. Disfarça a vida ríspida e nada acolhedora em que vive. Disfarça a mágoa que tem dos pais. Disfarça a falta de rumo na vida. Disfarça a falta de dignidade que leva sem ter feito opção.
O mais velho dos seis irmãos, estava presente em cada separação da guarda dos pais. “Guarda dos pais”? “Arma dos pais!”. Sofre. Sofre por ele, pelos outros seis. Gostaria de ajudar a todos, mas mal consegue sustentar a si próprio.
Pobre louco. Luta por resquícios de sanidade.
“... eu não faço poesia porque sou poeta, mas para exercitar minha alma.” Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, Lispector. "Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso ... Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?" Leminski
terça-feira, 9 de junho de 2009
O que planta sementes...
São tantos os menores
Abandonados pelas calçadas
De Paulisibéria
Que um dia os maiores
Acabam tropeçando neles
E param de fingir
Que ainda não notaram
(Ulisses Tavares)
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