sexta-feira, 26 de junho de 2009

Porre de cerveja sem álcool

imprevisto

na certa
é amor
ou
quase isso

(disse a carta
do tarô)

búzios
oráculos
horóscopo
até no céu
estava escrito
:
é amor
ou quase que

acreditou...

e se ferrou
bonito

(Valéria Tarelho)



Estacionou o carro como uma criança descuidada que joga a bicicleta no chão. Abriu a porta com tamanha ligeireza enquanto refletia sobre o amor. Concluiu: já que o amor é cego, deveria também ser surdo, mudo, esquizofrênico e paralítico!

Acreditou em tudo! Da carta do tarô ao poema de amor. Os poetas e os tarólogos deviam trabalhar no circo.

Decidiu beber, esquecer, deixar de trabalhar, virar freira. Entornou todas as latas de cerveja da geladeira (uma marca desconhecida), ligou para a amiga (a amiga disse que era importada). Chorou, ficou alta, dormiu o sono babão dos bêbados e acordou no dia seguinte de ressaca.

Ainda não conseguira entender “qual era o seu problema?”, quando as infelizes letras saltaram das latas de cerveja vazias: zero de álcool!

Seu problema é que não inventaram ainda um Engov para porre de cerveja sem álcool, àquelas pessoas que vivem embriagadas de sua própria imaginação.

3 comentários:

  1. Esse texto que acompanha poesia é de autoria sua?

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  2. ei...eu conheço a bebada...conheço essa historia...conheço mesmo...hehehe

    alias adorei o texto!!!!

    Carol RA

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  3. mto bom o texto da cerveja sem alcool.
    gostei.

    elaine

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