terça-feira, 7 de outubro de 2014

A máquina da alma pós-moderna

Já não respira mais sem a ajuda dos aparelhos.
Dúvida latente: não sabe se pode viver mais sem eles.
Desliga-se ou vive-se?

E impaciente para pensar numa resposta, que o desacate
Os mantém em mãos:
Para que não lhe falte o último, estreito e insosso, curtir.

Já não consegue mais pensar sem ajuda dos ditos cujos.
Então os usa para pensar. E pensa que pensa. Ilusão.
Liberdade e felicidade presas  à luz da última mensagem.
Tanto faz à luz do dia ou à luz rarefeita da noite.

No desejo frio de registrar a felicidade, permanentemente, efêmera,
Conectado à essência virtual da imagem momentânea,
Que escorre e escoa nos valos da leveza e da superficialidade.
Irrita-se pelo sinal oscilante que brinca na tela.

Nem se dá conta que todos os imprescindíveis sinais e sentidos

Flutuam ao seu redor e dentro de si.

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