Já não respira mais sem a ajuda dos aparelhos.
Dúvida latente: não sabe se pode viver mais sem eles.
Desliga-se ou vive-se?
E impaciente para pensar numa resposta, que o desacate
Os mantém em mãos:
Para que não lhe falte o último, estreito e insosso, curtir.
Já não consegue mais pensar sem ajuda dos ditos cujos.
Então os usa para pensar. E pensa que pensa. Ilusão.
Liberdade e felicidade presas à luz da última mensagem.
Tanto faz à luz do dia ou à luz rarefeita da noite.
No desejo frio de registrar a felicidade, permanentemente,
efêmera,
Conectado à essência virtual da imagem momentânea,
Que escorre e escoa nos valos da leveza e da
superficialidade.
Irrita-se pelo sinal oscilante que brinca na tela.
Nem se dá conta que todos os imprescindíveis sinais e
sentidos
Flutuam ao seu redor e dentro de si.