terça-feira, 9 de junho de 2009

"E jacaré entendeu? Nem eu!"

(Macunaíma, Mário de Andrade)


Ci, às avessas, não vive no céu (mas quase viu estrelas de tanta raiva), queria saber se seu herói era mesmo sem nenhum caráter e resolveu procurá-lo entre a nada virgem, cinza e cimentada quimera urbana.

Pois o herói, que vivia enfastiado, queixando-se de fadiga e declamando a sua máxima “Ai! que preguiça...”, não estava em sua rede dormindo. Riscava a noite fumaças e sons, comemorando a brincadeira que corria solta.

A princípio, enfurecida, Ci pensou em fazer um pega, mas sabia que isso só pertencia aos escritos originais. Inconsolável , voltou a sua casa que ficava próxima ao Mato-Virgem.

No dia seguinte, o herói sem caráter, padecendo de insanidade, dizia não entender como Ci havia sido mordida por cobra. Vociferava fundamentos imaginários com boa-fé.

Ci, que não estava mais para brincadeiras, esperou apenas uma virada de estrelas.

Não se tornou sol, nem lua. Não mais personagem e companheira do herói sem caráter, voltou a ser apenas a leitora de um texto modernista.

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