Ci, às avessas, não vive no céu (mas quase viu estrelas de tanta raiva), queria saber se seu herói era mesmo sem nenhum caráter e resolveu procurá-lo entre a nada virgem, cinza e cimentada quimera urbana.
Pois o herói, que vivia enfastiado, queixando-se de fadiga e declamando a sua máxima “Ai! que preguiça...”, não estava em sua rede dormindo. Riscava a noite fumaças e sons, comemorando a brincadeira que corria solta.
A princípio, enfurecida, Ci pensou em fazer um pega, mas sabia que isso só pertencia aos escritos originais. Inconsolável , voltou a sua casa que ficava próxima ao Mato-Virgem.
No dia seguinte, o herói sem caráter, padecendo de insanidade, dizia não entender como Ci havia sido mordida por cobra. Vociferava fundamentos imaginários com boa-fé.
Ci, que não estava mais para brincadeiras, esperou apenas uma virada de estrelas.
Não se tornou sol, nem lua. Não mais personagem e companheira do herói sem caráter, voltou a ser apenas a leitora de um texto modernista.
“... eu não faço poesia porque sou poeta, mas para exercitar minha alma.” Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, Lispector. "Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso ... Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?" Leminski
terça-feira, 9 de junho de 2009
"E jacaré entendeu? Nem eu!"
(Macunaíma, Mário de Andrade)
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Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirÓtima escolha!! hehe
ResponderExcluirE viva a virada de estrelINHAS!!rs
Ou melhor...as entrelinhas!!
;)